terça-feira, 15 de dezembro de 2009

After the rain there is sun!

Quase lá! Fim de ano tem dessas coisas, deixa a gente na maior expectativa de que coisas mudem , tudo novo venha, que o que passou passou e a partir de um certo dia é vida nova! Seja como for, acreditando nisso ou não, renovação faz um bem danado. Primeiro porque todo mundo deve ter acordado um dia cansado de si, da vida e até de olhar pra cara das pessoas que convivem com você, por mais que sejam as pessoas mais legais desse mundo. Acho até natural de vez em quando. Aí quando descobrimos que não vai ser assim pra sempre, que logo aquilo que incomoda passa e vem algo novo, é mais natural ainda se alegrar. No meu caso, funciona. Qualquer detalhe no meu dia que possa ser diferente ( de forma positiva, é claro!) já é motivo pra me sentir melhor.


Melhor ainda é finalizar etapas. Nesse semestre mais uma etapa cumprida com alguns tropeços, mas vou encarando como desafios que ajudam, pois sei que as dificuldades e os problemas podem ser bons por dois motivos: ensinam e fazem crescer. Errar não é o maior problema, desconhecer a oportunidade de aprender com o erro é que é... Esse desconhecimento eu acho que dá pra chamar de retrocesso, e não é tempo disso.


Finalmente entro num período para mim, em que eu possa respirar e fazer o que quero. Nem sempre isso é possivel quando a vida se transforma em rotina, ou quando tudo é colocado " para o nosso bem". Meu bem é poder ser mais eu agora. E é o que eu também desejo a você.




O que eu estou fazendo? Construindo pontes =D

O que eu vou fazer? Continuar.


O que eu estou lendo? "Filosofia da Ciência" - Rubem Alves.


O que eu quero? Minha família e meus amigos comigo, sempre.


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

verdades.

Uma bagunça danada me toma pela mão, me faz sentar e começar alguma coisa. Olhei pra folha. Vai demorar muito pra começar? Quanto tempo eu vou levar então pra organizar tudo isso? Peço a mim mesma pra não me deixar, e sinto que fico de pouco em pouco no que deixei. Num instante qualquer toca a mesma música que eu já tinha ouvido, parei pra respirar. A melodia é linda e sem risco nenhum de ser ruim, ela fala de quê? Vou ouvir de novo e de novo até saber cantar. Quando eu aprender, quero cantá-la por aí, vou dividi-la com alguém. Será que alguém vai conhecer essa? Tem tantas, mas essa é a que eu ouvi.
Saio. Tem tanta gente lá fora e todo mundo apressado, com ar de cansaço, ar de corrida. Precisa correr? Fiquei com vontade de perguntar pra onde iam, e mais ainda que a resposta fosse qualquer lugar.Seria tão mais sincero do que inventar! No fundo ninguém sabe. Eu vou ao banco, à escola, ao parque, à festa, eu estou voltando só de onde vim. Mas eu não sei mesmo de onde foi e nem cheguei e já quis voltar.
Cheguei. Respiro devagar, não há pressa. Um dia eu quero descobrir se correr vale mesmo a pena, se todo esforço vira recompensa.
Há tanto pra fazer, pra resolver, pra pensar. Olho pro relógio. Que horas são? Eu quero muito tempo, eu quero tempo pra fazer o que gosto, pra estar com quem eu gosto, pra mostrar que está em mim a vontade verdadeira de ficar perto. Eu não vi passar! O relógio me enganou enquanto eu pensava no quanto queria estar em qualquer lugar pra dizer o que eu tenho pra dizer, pra fazer você me escutar.Volto ao papel, ele me diz as verdades que estão presas. Pobres, eu as sei e as repito todo dia. Ao ver o sol, a tranquilidade toma conta. Acho que deve ser fé ou esperança, algo assim. Eu sei que no final ( ou no começo) eu quero sorrir de qualquer jeito.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Vinícius

Se tem um poeta que eu tenho gosto, esse é Vinícius de Moraes =) Gosto de seu estilo, a escolha lírica das palavras, a mensagem e o jeito gostoso e baixinho de ler em ritmo de bossa nova seus mais belos textos e canções =)

Aqui estão alguns de seus poemas. =D

"Como dizia o poeta
Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não"



Pela luz dos olhos teus

"Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai, que bom que isso é, meu Deus
Que frio que me dá
O encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus
Só pra me provocar
Meu amor, juro por Deus
Me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus
Já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus
Sem mais lararará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho, meu amor
E só se pode achar
Que a luz dos olhos meus
Precisa se casar "




Soneto de Fidelidade



"De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure"


Soneto do amigo


Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...



Se todos fossem iguais a você


Vai tua vida
Teu caminho é de paz e amor
A tua vida
É uma linda canção de amor
Abre teus braços e canta a última esperança
A esperança divina de amar em paz
Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver
Uma canção pelo ar
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar
A sorrir, a cantar, a pedir
A beleza de amar
Como o sol, como a flor, como a luz
Amar sem mentir, nem sofrer
Existiria a verdade
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você

E um que marcou muito a minha infância!


O pato


"Lá vem o Pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o Pato
Para ver o que é que há.
O Pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela."

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Eu voltei, agora pra ficar!

Sim! Depois de um tempo eu volto pra dizer que não abandonei meu blog! e ainda penso que não escrever aqui deixa uma parte de mim oculta, embora nem tudo eu possa/consiga dizer...
Permaneceu unwritten mesmo...por um tempo, mas isso eu pretendo mudar =)
Venho com a intenção de limpar a poeira acumulada por aqui e inovar...

Pra começar, li um daqueles textos pra refletir e achei interessante, aqui está:


" O rio e o leão"


"Depois de uma grande enchente, o leão viu-se cercado por um rio e ficou sem saber como sair dali. Nadar não era de sua natureza, mas só lhe restavam duas opções: atravessar o rio ou morrer. O leão urrou, mergulhou na água, quase se afogou, mas não conseguiu atravessar. Exausto, deitou pra descansar.

Foi quando ouviu o rio dizer:

- Jamais lute com o que não está presente.

Cautelosamente, o animal olhou em volta e perguntou:

- O que não está aqui?

- O seu inimigo não está aqui- respondeu o rio- Assim como você é um leão, eu sou apenas um rio.

Ao ouvir isso, o leão, muito sereno, começou a estudar as características do rio. Logo identificou um certo ponto em que a correnteza empurrava para a margem e, entrando na água, conseguiu boiar até o outro lado."


Simples entendem? Me fez pensar que não devemos transformar garoinhas em tempestades, que muitas vezes achamos que qualquer situação pode ser um problema e na verdade, se analisarmos bem, veremos que nem tudo é tão complicado como construímos =) Como fez o leão, melhor mesmo é estudar as características das situações e enfrentá-las com sabedoria!

Um beijo,

Cih


sexta-feira, 24 de julho de 2009

Na verdade, é isso.

Às vezes durante as aulas viajo um pouco e o que está sendo explicado na minha frente não passa de palavras soltas. " Do que diabos ele está falando mesmo?", é a pergunta que eu me faço quando volto dessa viagem toda. Falta de atenção ou até desinteresse da minha parte, confesso! Admiro aqueles que acompanham tudo com olhar atento e cabeça à mil, aqueles que absorvem tudo como esponja.


Claro que não é sempre que estou com a cabeça em outro lugar, e ontem em um desses momentos de concentração ou pelo menos tentativa de, minha atenção se voltou para as palavras de uma professora, que foram resumidamente essas : Um escritor considerado gênio é aquele que te acrescenta algo como pessoa, não é porque o mundo o considera um gênio que você é obrigado a considerá-lo também, cada um deve procurar aquilo que gosta. Como exemplo, ela citou James Joyce, escritor irlandês, e disse que particularmente ele não a movia em sua consciência de indivíduo, em outras palavras, não acrescentava nada para ela em relação ao mundo.


Nesse momento percebi que pela primeira vez presenciava ali a coragem de ultrapassar o pensamento geral ( ou visto como) e revelar o que realmente importa : a honestidade. Isso me chamou a atenção por ser raro. O fato de pessoas generalizarem um gosto ou fingirem de que gostam de algo que não entendem me intriga, afinal, eu não preciso gostar de tudo o que leio, mesmo que seja de um autor famoso e consagrado considerado o melhor dos últimos tempos e que o mundo idolatra, ou coisa do tipo.


Caímos na história de julgar sem conhecer e tirar conclusões, mas é melhor conhecer antes de afirmar se gosta ou não, ou se algo é bom ou ruim, e, se for o caso, dizer que não, não gostamos, mesmo que a opinião geral seja oposta.


Isso deve ser aquilo que se chama de transparência, afinal, para que fingir ser o que não é, ou que gosta quando é o contrário, ou tentar acreditar no que não acredita? ( vale para tudo, gostos, jeitos, valores, modos de vida).


Acredito mesmo que devemos adorar de verdade e sem receio aquilo e tudo o que nos move, que faz realmente sentido para nós, que nos faz querer mais.

domingo, 7 de junho de 2009

Sobre o Tempo...

Por um momento senti que passou por mim e eu acabei percebendo apenas um pouco agora. Vi que as coisas sairam de seus lugares, os olhos se cansaram, muita coisa se acertou, mudou, cresceu e continua... a tendência é só essa. Ficamos na esperança de que Cronos olhe por nós para brincarmos um pouco de imortais, mas o senhor do tempo de certo deve preferir suas mudanças e transformações. De tudo aquilo que me intriga nessa vida, o tempo ocupa seu lugar entre as primeiras colocações, junto com outras tantas coisas que eu não teria como explicar, mas que me afastam da realidade fria, como a saudade, a esperança da vida em si, a amizade, a tristeza, a alegria, o amor. Ah, mas tudo vem ao seu tempo! Um dia eu ainda falo de amor!, força maior que acende os corações! ou talvez deixe esse ofício tão belo para os poetas, e para doces carteiros! Mas, sem fugir, só posso dizer que tudo isso não me intriga de maneira negativa, não chega a ser isso, só me faz querer refletir... porque vem nem sei como, mas vem de verdade, de jeito, e deixa tudo o que tem que deixar, ou levar, assim como o vento.

Juntei apenas algumas que falam sobre tempo, se você que lê lembrar de outras, por favor, não deixe de me ajudar a completar o pouco que aqui está:


"O tempo nao pára, não pára não, não pára" Cazuza

"Estamos todos matriculados na escola da vida onde o Mestre é o tempo"
Cora Coralina

Tempo: sm. 1. A sucessão do anos, dias, horas, etc., que envolve a noção de presente, passado e futuro. 2. Momento ou ocasião apropriada para que uma coisa se realize. 3. Época, estação. Tempo, segundo o dicionário Aurélio da Língua Portuguesa

" ...mas o tempo ( e é outro ponto que eu espero a indulgência dos homens pensadores!), o tempo caleja a sensibilidade, e oblitera a memória das coisas..." Memórias Póstumas de Brás Cubas, página 184

" Matamos o tempo, o tempo nos enterra" Idem, pág. 193

"...Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Que não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo o que há pra viver..." Tempos Modernos - Lulu Santos

"...Todos os dias quando acordo,
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo..." Tempo Perdido - Legião Urbana

"O tempo é muito lento para os que esperam. Muito rápido para os que tem medo. Muito longo para os que lamentam. Muito curto para os que festejam. Mas, para os que amam, o tempo é eterno." William Shakeaspeare

"Eu fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra... " Mário Lago

"As pessoas comuns pensam apenas como passar o tempo. Uma pessoa inteligente tenta usar o tempo. " Arthur Schopenhauer

"...E que o tempo nos espera
Semanas e meses
E o tempo é uma febre
Anos sem curas
E que o tempo nos espera
Sem enredos, sem preces..." E que o tempo nos espera - Skank




terça-feira, 26 de maio de 2009

Filtro

Não acredite em tudo o que vê. Eu poderia resumir a isso o que venho dizer hoje aqui, mas é pouco demais e já sinto certo cansaço de frases feitas que têm todo um conteúdo próprio, ou que parecem ter, mas no fim fica sempre algo no ar. Como quero explorar um pouco mais, começo justificando o porquê não devemos acreditar em tudo o que vemos: Porque em absolutamente tudo se esconde algo, e porque nossa mente adora pregar peças em nossas visões. Quem nunca se deixou levar pelo que foi dito por alguém, pelo o que viu, por aquilo que leu? Não sei, essas são minhas constatações que não precisam ser levadas tão em conta ( mas não deixo de acreditar que pode ser verdade).
O que busco dizer é que nem tudo é realidade transparente. Não acredite sem ao menos questionar, ser crítico é a solução dos desenganos, afinal, nem tudo é o que parece ( e eu dizendo que estava cansada das frases feitas...).
Todo dia nos deparamos com uma série de situações em que devemos julgar, criticar, entender.Fácil não é, mas lidar se torna menos cruel e dificultoso se filtrarmos um pouco o que vemos por aí. Os olhos, infelizmente, não possuem essa capacidade, cabe a nós com inteligência e sensilidade separar o que realmente é relevante para nossas vidas. Basta a consciência de que há sempre algo a mais, aparências nunca são o suficiente e sim, elas enganam.

domingo, 17 de maio de 2009

Flores mortas

Na vida a gente só aprende depois de lutar muito se debatendo na correnteza. Só tropeçando e caindo por todo o desequilíbrio... pra depois se levantar.

Esse vai ser um texto sem condução, eu não quero trabalhar muito no que vou escrever e nem analisar sua coerência, só vou levar a caneta ao papel nesse silêncio todo pra fugir um pouco do que vejo, do que sinto e de toda a falta que a vida me traz, de toda certeza desonesta que começa e acaba em mim, de toda imaginação construída com base em minhas próprias ilusões: esteve tudo bem, está tudo bem, vai ficar tudo bem, nunca deixou de estar.

Volto um pouco no antes e me afogo. São cartas, telefonemas, presenças, faltas, conselhos, choros, brincadeiras, medos, olhos virados que não me garantem nada. O que me impede de queimar todo esse arquivo?

Nessas horas me pergunto o que será do amanhã, meu e dos outros. E e lembro que já ouvi nessa vida algum" pra sempre" de mentirinha que na época era. E continuamos jogando ao vento o que não sabemos se existe e que talvez se acabe. Com convicções incertas construi as velhas amizades que hoje, com absoluta certeza, viraram pó.

Eu jogo no mar, dizem que purifica, o mar leva embora e a onda já não traz, porque o que deixou de ser o mar toma. Só observo a maré e as ondas que quebram, e peço pra continuarem.

Não quero parecer alguém que não seja eu. Não me perderei em meio à multidão me transformando em um deles, não me identifico com novas opiniões fáceis, manipuláveis, mutiláveis, desgastadas, poucas e nada sinceras e que faltam, desfiando, derretendo, dissolvendo-se por fim aos montes. Me recuso a ser o rosto que não sente, não expressa, que aceita. Me guardo em mim. Porque ser como os outros é um papel que qualquer um faz bem nessa trama que é a vida.




quarta-feira, 13 de maio de 2009

É Tudo questão de costume...

Às vezes a vida da gente só é rotina sem tamanho e com tempinho marcado. Acho que isso tudo é só pra nos controlarmos, pra não sairmos da linha que todo mundo pretende seguir pra ter tal vida, indo talvez para o mesmo lugar, querendo as mesmas coisas. Assim se forma uma bola de neve constante e inconstante ao mesmo tempo... constante porque é um dia após o outro de realizações (literalmente, são nossos atos e nossas realizações pessoais) , são coisas que fazemos e coisas que esperamos que sejam devidamente reconhecidas ( ou nem isso, apenas para sabermos que fizemos o certo ou que caminhamos sem tropeçar muito, mais até do que achavamos que poderíamos conseguir antes). Já a inconstância se deve ao que vamos fazer em cada dia, nem todos são iguais, nem todas as pessoas são iguais e a cada dia o assunto é outro, o desafio idem, mas somos obrigados a fazer as mesmas coisas de sempre. Dessa rotina toda vem o costume. Quando nos acostumamos a algo, mesmo que não seja útil, é fácil se acomodar, porque a mudança exige certo esforço e quem disse que todo mundo se sente confortável com isso? Posso dizer que eu não me sinto, mudar sempre foi algo um tanto assustador, sou alguém que se contenta com o que me agrada e que vê a mudança como um passo grande...mas quando a encaro, pronto. Consigo vencer, me ajeitar aos pouquinhos e procurar o lado bom, nem sempre tão explícito como meu espírito não muito favorável ao que não posso controlar gostaria, mas ainda assim sinto que posso lidar com o que vai vir a ser um costume. E é aí que caio em contradição muitas vezes, como pode uma pessoa que não é fã de mudanças questionar a rotina e o que ela me traz? Há um texto que li e que acho que vale a pena copiá-lo aqui, trata exatamente de se acostumar com a rotina imposta pela vida, ou nem tanto por ela.
"A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.A gente se acostuma para poupar a vida.Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma."

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Sobre a linguagem

"A linguagem - a fala humana- é uma inesgotável riqueza de múltiplos valores. A linguagem é inseparável do homem e segue-o em todos os seus atos. A linguagem é o instrumento graças ao qual o homem modela o seu pensamento, seus sentimentos, suas emoções, seus esforços, sua vontade e seus atos, o instrumento graças ao qual ele influencia e é influenciado, a base última e mais profunda da sociedade humana. Mas é também o recurso último e indispensável ao homem, seu refúgio nas horas solitárias em que o espírito luta com a existência, e quando o conflito se resolve no monólogo do poeta e na meditação do pensador. Antes mesmo do primeiro despertar de nossa consciência, as palavras já ressoavam a nossa volta, prontas para envolver os primeiros germes frágeis de nosso pensamento e a nos acompanhar inseparavelmente através da vida, desde as mais humildes ocupações da vida cotiana aos momentos mais sublimes e mais íntimos dos quais a vida de todos os dias retira, graças às lembranças encarnadas pela linguagem, força e calor. A linguagem não é um simples acompanhante , mas sim um fio profundamente tecido na trama do pensamento; para o indivíduo, ela é um tesouro da memória e a consciência vigilante transmitida de pai para filho. Para o bem e para o mal, a fala é a marca da personalidade, da terra natal e da nação,o título de nobreza da humanidade. O desenvolvimento da linguagem está tão inextricavelmente ligado ao da personalidade de cada indivíduo, da terra natal, da nação, da humanidade, da própria vida, que é possível indagar-se se ela não passa de um simples reflexo ou se ela não é tudo isso: a própria fonte do desenvolvimento dessas coisas. "
( Louis Hjelmslev, linguista dinamarquês)

sábado, 25 de abril de 2009

Promessa

Subiu no ônibus e já estava ansioso sem querer. Queria que o tempo passasse rápido, voando, aquela espera toda estava impossível. Ultimamente tudo andava impossível, pelo menos para ele, sufocando aos poucos naquele ambiente que ele não conhecia, e como não queria mais ficar ali, estava muito pouco disposto a conhecer, tinha medo de se acostumar.
Deu graças a Deus que iria voltar, dessa vez de verdade, talvez pra sempre. Ia ser surpresa pra todos, quanta coragem! Depois de todo o tempo, depois de toda a sorte do mundo, desistiu?
A viagem de volta demorava horas, ele sabia. Não conseguiu dormir no ônibus quente cheio de gente. Pra onde ia toda aquela gente? Gente dormia, comia, falava e falava e não parava de jeito nenhum de falar e a mulher contava da neta que tinha nascido e o homem falava em processar a empresa por causa do dinheiro. Era sempre o dinheiro. E a criança no colo da mãe no banco de trás chorando abafado, devagarinho aquele choro de sono que criança chora e mais parece gato que mia alto no telhado de noite.
Tudo aquilo se misturava no pensamento dele junto com as memórias de antes e a expectativa do depois, a ansiedade, a vontade de ir chegando e nem se justificar mais, só abraçar todo mundo de novo, beijar todo mundo de novo. Estava com aquela esperança boba de ter tudo, de novo.
E de tanto pensar cansou e cochilou um pouco, e mesmo assim conseguiu sonhar. E foi com a casa, com a família toda e com os amigos antigos da infância, com as brincadeiras na rua da Glória, da Dona Célia de olho pela janela só pra saber quem jogou bola no jardim dela e destruiu as roseiras, do moço que vendia o sorvete barato em dias de calor, dos mergulhos no rio, de todas as travessuras de criança. Sonho.
E quando tudo parecia realidade próxima, o sonho se misturou todo, no meio de toda a bagunça de rostos , de vozes e de coisas do sonho surgiu a promessa com força. Pesadelo.
Acordou assustado com aquele nó na garganta, no peito, em tudo. O sonho ruim trouxe de volta de longe do fundo do que ele já não lembrava mais e que evitava. E junto, ela surgiu.
Voltou como se um dia tivesse ido, mas isso nunca aconteceu. Pelo menos isso ele cumpriu, não conseguiu esquecer, bem como ele tinha dito, esquecer não dava.
Passa o tempo sempre e as horas voaram. Parou.
Desceu desconcertado, não recuperado dos devaneios da viagem. Olhou bem ao redor, procurando um rosto conhecido, um alguém. e entre todos os rostos que não eram dele, lá estava ela, a dona de tudo, a dona da promessa.
Ele tinha imaginado que a levaria com ele, ela tinha pensado que ele voltaria muito, muito antes pra ela. Promessa, e todo mundo sabe que promessa é dívida, era coisa sagrada.
E foi só o que ela disse a ele. Mas ele não pode dizer o que tanto queria, emudeceu como se realmente não tivesse nenhuma intenção de estar ali. Porque ele foi, ficou, voltou e o motivo todo mundo sabia, era por causa do dinheiro, era sempre o dinheiro.
O olhar dela permanecia o mesmo de anos atrás, imutável, do mesmo jeitinho que levava o mundo todo dentro. E os olhos dele a seguiram depois do abraço sozinho sem beijo de saudades. Esse permaneceu até hoje guardado, porque a dívida ele não conseguiu pagar.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Sobre sentir e escrever

Interlúdio

Uma palavra caída

das montanhas dos instantes

desmancha todos os mares

e une as terras mais distantes.

( Cecília Meireles)


Já foi o tempo em que eu complicava tudo. Hoje vejo que posso encarar a vida de uma forma mais simples, sem ter que escravizar a minha mente com dúvidas e medos. Hoje sei que consigo olhar um belo dia quente de sol e pensar “ puxa, tenho que aproveitá-lo” ao invés de “com certeza vai chover de tarde com todo esse calor”, transformei-me, inverti os pensamentos inuteis, aqueles não aproveitáveis e vazios. Talvez porque obtive consciência de que devo aproveitar o hoje, uma ideia que me inspira a ser melhor. Carpe Diem. Tudo é efêmero, fato que assusta, mas verdadeiro. Se não aproveitar o agora, como é que poderei aproveitar o que está por vir? Através das palavras de Shakespeare, constato uma verdade: o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Deixei certas dúvidas de lado e me vejo aqui, escrevendo como forma de colocar tudo em ordem. Eu poderia expressar os motivos que me levaram a escrever, se é que há algum motivo que funcione como justificativa. Talvez não exista, não concretos, não absolutos, e nem sequer um em especial. E nem essa justificativa precisa existir.

Quem sabe eu possa chamar isso que me acontece de inspiração, aquela que vem e não se sabe de onde, nem porquê. Se bem que eu sei ( sei? Acho que sinto) o que é capaz de provocá-la. Algumas pessoas me inspiram e talvez ainda nem tenham consciência disso, revelo aqui então uma vontade: eu espero que descubram, para não desistirem, não desanimarem, e continuarem, sempre. Mas não quero que se cobrem por isso, não encarem como uma responsabilidade, pelo contrário, que deixem simplesmente acontecer, naturalmente, como as melhores coisas da vida.

Um momento, um gesto, uma palavra, tudo é capaz de trazer a inspiração assim, sem aviso, sem mais nem menos, sem precisar dizer a que veio, mas aparece de um jeito que é impossível recusar, ignorar, deixar pra depois. Então admito que espero ter a sensibilidade necessária para deixá-la entrar, se aconchegar, vir mais perto, tudo para que se demonstre e se mostre, plena.

Agora percebo que escrevo como um modo de expressão. É isso, não somente, mas é. E me utilizo disso para expressar ideias que costumo guardar para mim, já que sempre fui uma pessoa muito mais do tipo que observa do que aquela que pensa e logo fala. Talvez eu esteja começando a acreditar que preciso aproveitar o que tenho e que as observações que constituem o mix de que sou feita podem ser divididas, não mais guardadas, empoeirando. Agora vejo uma necessidade a mais, um desejo de saber se tudo isso faz realmente um sentido, ou nenhum, e se não está errado fechar as constatações num pedaço de mim. As janelas da alma se abrem nesse momento, mandam embora o escuro, trazem serenidade que inquieta, paradoxalmente, o que esteve aqui desde sempre.

Preciso deixar um pouco do que penso e sinto se mostrar, independente do valor que os outros vão dar para isso. Já não importa. Deixo que pensem o que quiserem, da forma que quiserem. Procuro agora sentir , deixar de lado hesitações e dúvidas que definitivamente não precisam existir quando o que permito agora, talvez involuntariamente até, é deixar que o coração controle a caneta no papel e retire o vazio do branco, mesmo que não faça sentido algum, mesmo que eu não consiga mudar absolutamente nada.

Pode ser ainda que ninguém sequer leia as minhas palavras. Mas elas continuarão, imcompletas. Isso porque sempre haverá algo a mais que não foi dito, ou que ficou subentendido, porém mesmo falhando assim, sem sucesso em organizar o que busco expressar, fica a expectativa de que alguém um dia se identifique o suficiente para guardar na memória algo que tentei dizer aqui, e isso já vale.

Desejo agora começar a evoluir, e sei que o importante mesmo é crescer, com a sensação revigorante de ser fiel à própria essência, ser único, saber que se está de fato tentando alcançar o que se acredita de verdade, e como diz um amigo, ter enfim a felicidade de saber que a consciência se mantém limpa. Buscarei ser eu mesma o tempo todo, respeitar o que sempre acreditei, escrever com a sinceridade necessária para amadurecer, ter a sensação de que há muito por vir, porque sei que tenho muito o que aprender e estagnar seria desperdício, não quero me contentar com o aparentemente suficiente, pois nunca é, ele não existe. Quero mais. Quero que as reflexões se mostrem. Quero que apareçam os sonhos traduzidos.