sexta-feira, 24 de julho de 2009

Na verdade, é isso.

Às vezes durante as aulas viajo um pouco e o que está sendo explicado na minha frente não passa de palavras soltas. " Do que diabos ele está falando mesmo?", é a pergunta que eu me faço quando volto dessa viagem toda. Falta de atenção ou até desinteresse da minha parte, confesso! Admiro aqueles que acompanham tudo com olhar atento e cabeça à mil, aqueles que absorvem tudo como esponja.


Claro que não é sempre que estou com a cabeça em outro lugar, e ontem em um desses momentos de concentração ou pelo menos tentativa de, minha atenção se voltou para as palavras de uma professora, que foram resumidamente essas : Um escritor considerado gênio é aquele que te acrescenta algo como pessoa, não é porque o mundo o considera um gênio que você é obrigado a considerá-lo também, cada um deve procurar aquilo que gosta. Como exemplo, ela citou James Joyce, escritor irlandês, e disse que particularmente ele não a movia em sua consciência de indivíduo, em outras palavras, não acrescentava nada para ela em relação ao mundo.


Nesse momento percebi que pela primeira vez presenciava ali a coragem de ultrapassar o pensamento geral ( ou visto como) e revelar o que realmente importa : a honestidade. Isso me chamou a atenção por ser raro. O fato de pessoas generalizarem um gosto ou fingirem de que gostam de algo que não entendem me intriga, afinal, eu não preciso gostar de tudo o que leio, mesmo que seja de um autor famoso e consagrado considerado o melhor dos últimos tempos e que o mundo idolatra, ou coisa do tipo.


Caímos na história de julgar sem conhecer e tirar conclusões, mas é melhor conhecer antes de afirmar se gosta ou não, ou se algo é bom ou ruim, e, se for o caso, dizer que não, não gostamos, mesmo que a opinião geral seja oposta.


Isso deve ser aquilo que se chama de transparência, afinal, para que fingir ser o que não é, ou que gosta quando é o contrário, ou tentar acreditar no que não acredita? ( vale para tudo, gostos, jeitos, valores, modos de vida).


Acredito mesmo que devemos adorar de verdade e sem receio aquilo e tudo o que nos move, que faz realmente sentido para nós, que nos faz querer mais.