Ela veio errada, não era para mim. Por um segundo achei que fosse, senti, acreditei que era. Pensamento veio na hora, só pode ser aquele oi, um convite, um conhecido qualquer. Coloco em uma das mãos e a leio, com o cuidado que se deve ter quando se acredita que algo foi detalhadamente pensado para você.
E sonolenta, passo os olhos. Não é minha! Leio novamente, de fato não é. É de alguém para alguém, não para mim. Quando algo não nos pertence há um mistério maior... Aquelas palavras não me pertenciam. Mas não pensei o mesmo no momento em que li a mensagem, precisei relê-la e achei graça, e ri: tanto pelo engano como pelo mistério. Ela tem mais do que eu podia supor, e só por ter sido direcionada errado, não a tenho: se perde no espaço entre as mãos...
Que bobagem desse alguém fazer cair em mim palavras como essas! Não sabe o que causa? Não sabe o desejo que contém?
Ironia completa de uma noite vazia. Me acorda com a primeira que me faz rir, e insiste com mais uma que, nesse momento, não vem com nada mais nem menos do que um ar de engano. E revela-se cortante como o frio da noite, e como esta, exata em meu sentimento. A hora passa, o segundo inicial de esperança se esvaiu. Me conformo, não são minhas as tuas palavras...
E ai de quem as espera como eu espero as de alguém...E que tristeza se ele as endereçar errado como você fez.