São lindos os dias em que o sol aparece, em que nada entristece, em que o tempo se faz devagar, em que as boas vozes e o vento vêm me lembrar que é a vida, esse dia...
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Confissões na janela.
Hoje eu vou olhar pela janela esperando que você passe por ela como se não fosse nada. Você vai olhar e não vai acenar, mas vai me encarar como se fosse tudo. Eu vou ignorar e continuar a viver como se isso tudo não fosse, e você vai me dizer que é assim que tem que ser...
O dia vai continuar. Eu não vou ficar parada ali para sempre, enquanto você poderia achar interessante eu pegar um banco para sentar enquanto olho. Você não passa há horas, dias, meses. Qual foi a última vez que nos vimos? Não faz tanto tempo. Mas dura eternamente até mesmo o tempo que poderia ser e não é - dura na alma, fica lá dentro escondidinho.
Tive um ideia: Mesmo que você não me veja, se um dia você passar pela minha janela, você pode olhar? Não sei, talvez não valha tanto assim, talvez seja apenas confortável tanto pra mim quanto pra você saber que poderia me encontrar de novo e conversar horas sobre as horas que foram, não foram, que são. Outra coisa: Se você esbarrar em mim por aí, você me olha e procura? É que só pela janela já está ficando distante, às vezes chove e você vai embora, às vezes reflete o sol e ofusca a visão. Mas a decisão não é minha, eu fico presa, não consigo te ver bem, está um pouco escuro. De qualquer forma... Se eu pedir, você vem?
Peço no fim porque sei que, pela felicidade, eu ficaria a vida inteira, na chuva e no sol, na frente da sua janela.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Hoje.
"Ânimo, Brás Cubas; não me sejas palerma. Que tens tu com essa sucessão de ruína a ruína ou de flor a flor? Trata de saborear a vida; e fica sabendo que a pior filosofia é a do choramingas que se deita à margem do rio para o fim de lastimar o curso incessante das águas. O ofício delas é não parar nunca; acomoda-te com a lei, e trata de aproveitá-la."
(Machado de Assis. Memórias Póstumas de Brás Cubas)
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
In memoriam
Sentir. Sinto hoje e a cada momento do meu dia pelo verão que foi embora cedo demais para que eu não chorasse por isso. Falo para esquecer, durmo para sonhar e fugir, fito para fingir devaneios. E a cada minuto do meu dia e de todos sua voz ecoará, teu sinal se manifestará por nossas testas cansadas mas que guardam as lembranças doces de dias de sol e de palavras bonitas, quando nada podia dar errado. Tatuo no coração e na memória as cartas, as palavras religiosas repletas de um carinho inigualável, o olhar cristalino, a doce e triste canção do mar que foi cantada...Guardo-te para sempre, inteiramente, com fé que um dia tudo não passará de um sonho nebuloso e duvidoso.
Te ouvirei, rezarei, te sentirei no vento, no mar, no azul dos céus, no brilho de uma estrela. A estrela. E nesse momento terei a certeza de que o amor nunca parte, a chama nunca morre.
[...]
Só agradeço por vir me fortalecer nesse dia, por coincidência ou complacência, depois de nós na garganta e da tentativa frustrada do esquecimento, um poema presente em um livro de Drummond, que me foi dado de coração por um amigo...
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
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