Sentir. Sinto hoje e a cada momento do meu dia pelo verão que foi embora cedo demais para que eu não chorasse por isso. Falo para esquecer, durmo para sonhar e fugir, fito para fingir devaneios. E a cada minuto do meu dia e de todos sua voz ecoará, teu sinal se manifestará por nossas testas cansadas mas que guardam as lembranças doces de dias de sol e de palavras bonitas, quando nada podia dar errado. Tatuo no coração e na memória as cartas, as palavras religiosas repletas de um carinho inigualável, o olhar cristalino, a doce e triste canção do mar que foi cantada...Guardo-te para sempre, inteiramente, com fé que um dia tudo não passará de um sonho nebuloso e duvidoso.
Te ouvirei, rezarei, te sentirei no vento, no mar, no azul dos céus, no brilho de uma estrela. A estrela. E nesse momento terei a certeza de que o amor nunca parte, a chama nunca morre.
[...]
Só agradeço por vir me fortalecer nesse dia, por coincidência ou complacência, depois de nós na garganta e da tentativa frustrada do esquecimento, um poema presente em um livro de Drummond, que me foi dado de coração por um amigo...
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.